quarta-feira, 30 de março de 2011

Encobrindo nossos próprios comportamentos

Recentemente testemunhei duas situações em que uma das partes renunciava à possibilidade de manter relação. Mas mais do que isto, o que as situações também tem de semelhança é (1) a alegada falta de compreensão do que sentiam e sua impossibilidade de expressão, pois reconheciam que sua conduta parecia irracional ou ilógica e/ou (2) a dificuldade ou evitação dos estabelecimento de um canal de comunicação.

Escrevo “e/ou” pois (1) eventualmente pode ser a manifestação pública de (2). Fazendo um paralelo, como bem conceituado pelos behavioristas, há aqueles comportamentos considerados encobertos, pois não são observáveis ou observados em público, mas são do conhecimento que quem os emite. Ou seja, (1) pode ser usado para encobrir a real motivação (2). Neste caso, por motivos que poderíamos somente especular, as pessoas desistem da comunicação, o que aparentemente é cada vez mais comum. Um parênteses, outro dia, e não me recordo qual era o articulista, lia no jornal que cada vez mais torna-se rara a possibilidade de uma conversa sem que as pessoas simplesmente coloquem sua opinião baseada num “achismo” raso e pulem de assunto em assunto, ou bem transformam o colóquio numa guerra santa de posições.

Mas (1) é a opção mais instigante pois aponta para um indivíduo que percebe a sua própria incapacidade de perceber-se, o que é um aparente paradoxo, pois parece já possuir consciência. Mas é aparente, pois não necessariamente isto lhe garante a possibilidade de compreender seus “drivers” comportamentais.

Uma das hipóteses foi pesquisada por Drew Westen e outros colaboradores num estudo que comprova "materialmente" a importância das motivações afetivas e emocionais em nossos pensamentos ("Journal of Cognitive Neuroscience" 18:11, 2006). Nada que as teorias sobre afeto não tenham abordado de formas diversas. Segundo Guimarães (Guimarães, F.S. Distúrbios Afetivos. In: Graeff & Brandão, Neurobiologia das Doenças Mentais, Lemos Editorial & Gráficos Ltda, 1993) “todo ser humano apresenta flutuações de afeto em resposta a eventos de sua vida cotidiana. Em algumas pessoas, no entanto estas respostas assumem um caráter inadequado em termos de serenidade, persistência ou circunstâncias desencadeadoras, caracterizando, assim a ocorrência de um distúrbio afetivo. Parece possível afirmar que, a depender da intensidade e qualidade dos nossos afetos e emoções nossos pensamentos ficam absolutamente comprometidos a ponto de nos sentirmos alheios ou estranhos a eles próprios. Favoretto (O Afeto em Psicossomática; 2002) esclarece: “Pode-se chegar à conclusão que o afeto é uma das bases mais concretas que o indivíduo conhece desde o início de sua vida, se esta emoção não for bem solidificada e compreendida de uma maneira positiva e integrada num fator sociocultural dentro dos padrões normais, haverá que interferirão no seu psiquismo apresentando modificações patológicas (transtornos mentais ou doenças psicossomáticas) e até desencadeando problemas comportamentais, causando, assim um sofrimento psíquico para o próprio indivíduo. Ele terá, portanto, dificuldades de interagir com o meio e ás vezes com si mesmo.”

É quase um comportamento esquizóide, pois você não reconhece o seu próprio comportamento, ou melhor, as razões de comportar-se de tal maneira. No limite é como seu houvesse dois “eus”, um que pensa e outro que age de maneira não coordenada e independente. Gosto do exemplo de Eckhart Tolle ( O Poder do Agora, Sextante, 2002): “... Um profundo anseio de destruição, de deixar de existir, tinha tomado conta de mim, tornando-se até mais forte do que o desejo instintivo de viver. “Não posso mais viver comigo”, pensei. Então, de repente, tomei consciência de como aquele pensamento era peculiar. “Eu sou um ou sou dois?”. Se eu não consigo mais viver comigo, deve haver dois de mim: o ‘eu’ e o ‘eu interior’, com que o ‘eu’ não consegue mais conviver. “Talvez”, pensei, “só um dos dois seja real.” O grande desafio é viver em harmonia com o Eu, mas o autêntico!

sexta-feira, 11 de março de 2011

“Lições” de amor: quem precisa?

Amor é uma daquelas palavras que facilmente podem se distanciar do seu significado. Obviamente que não raro somos sinceros ao usa-lá, mas também não raro a usamos de maneira rasa, leviana, impulsiva, infantil. Ainda, é daquelas palavras que pode refletir um ideal artístico ou pessoal, um conceito teórico ou pseudo-espiritual, mas nem por isto é garantia de ser sentido, vivido, experimentado.

E por falar em palavras, em português a palavra amor pode ser usada para um sorvete gostoso, para expressar reverência por um D-us, podendo passar por pessoas, animais ou ídolos. Para os gregos há várias palavras para amor: Eros significa o amor carnal, físico que geralmente é manifestado pela vontade de possuir alguém, tê-la para si; Storge é a palavra que designa o amor de família baseado num vínculo de intimidade que resulta em lealdade; Filia é a palavra que mais se assemelha ao uso atual da palavra amor, no sentido de termos sentimentos calorosos, afeição por algo ou alguém. Muitas vezes também usado para expressar o amor entre amigos; e por último Ágape, que seria a manifestação de um amor desapegado, elevado. É considerado um ato de vontade, um ato de liberdade no sentido de se fazer o melhor para o que ou quem se ama. Resumindo, Eros é glândual, Storge é genética, Filia é emoção e Ágape é liberdade.

O conceito pode ser compreendido, o que não quer dizer que amor aprende-se por cartilha, manual, aula ou osmose. Amor apreende-se, é sentido. Mas tampouco sentido de uma forma sensorial, ou melhor, somente sensorial. Mas sente-se com corpo, mente, alma, intuição. É daquelas coisas que simplesmente acontecem, e quando acontecem nós sabemos o que é. Então? Qual a necessidade de instrutor, mestre, guru para nos “iluminar” com sua receita de bolo de amor?

É impressionante como facilmente nos deixamos cair nesta armadilha de esperar que alguém nos diga o que e como fazer, quando a maior benção que recebemos é a liberdade para fazermos escolhas, e, infelizmente, não tão visto nestes dias, assumirmos as consequências destas escolhas. Às vezes suspeito que, quando queremos seguir uma receita é para que, em caso de erro possamos culpar quem nos orientou.

Escrevendo este texto surgiu muito forte a lembrança do que Krishnamurti falava sobre meditação. Ele dizia que quando falamos que estamos meditando, isto não é meditação. Quando fazemos uma prática de meditação... isto não é meditação. Meditação é um estado, espontâneo e natural que nos conecta com o presente, com a vida. E assim é o amor. Encenado, declamado, falado, conceituado, nada compara-se a vivenciá-lo. Como? Simplesmente viver. Por mais conotação religiosa que possa ter, a palavra comunhão é perfeita para ilustrar. Estar em comunhão consigo e com o ambiente. Sentir-se conectado, fluindo com o presente. O passado é morto, o futuro é especulação fantasiosa. É simples, mas não necessariamente fácil entregar-se e aceitar a força da vida, não de maneira conformista, mas sim de coração aberto.

E por falar em coração aberto, quando será que começamos a fechá-lo? Quantas marcas e traumas nossa essência precisa para que desenvolvamos uma couraça chamada personalidade, para escondermos o que temos de mais precioso? Pode soar piegas, eu sei. Mas por que temos tanto medo, e este medo aumenta conforme o tempo escorre, de nos mostrar como realmente somos? Por que algum momento, começamos até a esquecer que verdadeiramente somos. Tenho me perguntado com frequência, assim com às pessoas em situação de conflito ou angústia: “o que eu (você) de fato preciso(a)?”. Esta pergunta pode ser libertadora. Será que temos claro o que precisamos? Mas mais importante, será que somos claros com os outros, em especial com nossos círculos íntimos, sobre o que precisamos, queremos e esperamos? Lentamente comecei a me dar conta que preciso de coisas que não imaginava, e que posso dispensar várias que imaginava precisar. Mas, melhor ainda, que a maior parte do que eu preciso eu já tenho.

Guardo com carinho os momentos em que senti esta conexão, segundos ou minutos que deram a sensação de que o tempo havia parado, tudo fazia sentido e estava conectado e nada precisava ser explicado. Quando eu tentava capturar de alguma forma este momento... foi-se! Escapou pelos dedos e permaneceu o gosto. Assim cada vez mais me parece o amor. Tentar captura-lo, racionalizá-lo? Esqueça! Esvaiu-se!

Assim, cada dia suporto menos quem tem receita pronta! Cada um sabe o que precisa. E se não sabe, não será o outro que deve saber. Cada um pode e deve cuidar dos seus assuntos. E sim, por mais terrível que isto possa soar para alguns ouvidos politicamente corretos, acho que devemos ser egoístas em relação ao amor (e outras coisas também). Devemos olhar pelo que é nosso, do que nos faz bem, do que nos nutre. Se isto significa ser altruísta, pois bem! Seja egoisticamente altruísta. Simplesmente por que é bom para você, e não por que alguém falou que isto é certo, D-us vai gostar ou que é bom para seu Karma. Cuide do que é seu (olhando onde está o pé, ou melhor, calos dos outros), esta é a nossa responsabilidade.

(Sim minha querida amiga, estou gostando do desafio de escrever num estilo menos acadêmico! Com coração aberto fica fácil).

p.s.: este foi o primeiro artigo que escrevi, respondendo a um convite que recebi para colaborar com o Instituto do Amor.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mini Curso: Uma análise junguiana do mito de Eros e Psiqué



Fica a dica do curso que ocorrerá na Livraria da Vila da Fradique.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Um prato cheio para quem gosta de arte

Há certas coisas que considero que são Ferraris que pilotamos como Fuscas. O Google é uma delas. Recentemente descobri o Google Art Project que permite que possamos ter acesso à vários museus do mundo. Dá-se de duas formas: há uma galeria com obras selecionadas do museu, e a outra que permite que façamos uma visita virtual pelo museu através de um mecanismo parecido com o google maps.

Fiquei animado, pois numa visita à Florença, visitei a Galeria degli Uffizi e fiquei muito impactado com um conjunto de telas que retratavam virtudes humanas (lembro-me da temperança e serenidade). Enfim, corri para este serviço e mais feliz ainda em descobrir que o Uffizi fazia parte dos museus abrangidos pelo serviço.

No final das contas não achei as telas que procurava, mas foi muito prazeiroso poder passear por lá novamente. Abaixo uma obra de Gherardo delle Notti chamada Adorazione del Bambino. É impressionante o efeito das luzes na tela, irradiando do menino Jesus e refletindo e cada um dos presentes.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Encobrindo nossos próprios comportamentos


Recentemente testemunhei duas situações em que uma das partes renunciava à possibilidade de manter relação. Mas mais do que isto, o que as situações também tem de semelhança é (1) a alegada falta de compreensão do que sentiam e sua impossibilidade de expressão, pois reconheciam que sua conduta parecia irracional ou ilógica e/ou (2) a dificuldade ou evitação dos estabelecimento de um canal de comunicação.

Escrevo “e/ou” pois (1) eventualmente pode ser a manifestação pública de (2). Fazendo um paralelo, como bem conceituado pelos behavioristas, há aqueles comportamentos considerados encobertos, pois não são observáveis ou observados em público, mas são do conhecimento que quem os emite. Ou seja, (1) pode ser usado para encobrir a real motivação (2). Neste caso, por motivos que poderíamos somente especular, as pessoas desistem da comunicação, o que aparentemente é cada vez mais comum. Um parênteses, outro dia, e não me recordo qual era o articulista, lia no jornal que cada vez mais torna-se rara a possibilidade de uma conversa sem que as pessoas simplesmente coloquem sua opinião baseada num “achismo” raso e pulem de assunto em assunto, ou bem transformam o colóquio numa guerra santa de posições.

Mas (1) é a opção mais instigante pois aponta para um indivíduo que percebe a sua própria incapacidade de perceber-se, o que é um aparente paradoxo, pois parece já possuir consciência. Mas é aparente, pois não necessariamente isto lhe garante a possibilidade de compreender seus “drivers” comportamentais.

Uma das hipóteses foi pesquisada por Drew Westen e outros colaboradores num estudo que comprova "materialmente" a importância das motivações afetivas e emocionais em nossos pensamentos ("Journal of Cognitive Neuroscience" 18:11, 2006). Nada que as teorias sobre afeto não tenham abordado de formas diversas. Segundo Guimarães (Guimarães, F.S. Distúrbios Afetivos. In: Graeff & Brandão, Neurobiologia das Doenças Mentais, Lemos Editorial & Gráficos Ltda, 1993) “todo ser humano apresenta flutuações de afeto em resposta a eventos de sua vida cotidiana. Em algumas pessoas, no entanto estas respostas assumem um caráter inadequado em termos de serenidade, persistência ou circunstâncias desencadeadoras, caracterizando, assim a ocorrência de um distúrbio afetivo. Parece possível afirmar que, a depender da intensidade e qualidade dos nossos afetos e emoções nossos pensamentos ficam absolutamente comprometidos a ponto de nos sentirmos alheios ou estranhos a eles próprios. Favoretto (O Afeto em Psicossomática; 2002) esclarece: “Pode-se chegar à conclusão que o afeto é uma das bases mais concretas que o indivíduo conhece desde o início de sua vida, se esta emoção não for bem solidificada e compreendida de uma maneira positiva e integrada num fator sociocultural dentro dos padrões normais, haverá que interferirão no seu psiquismo apresentando modificações patológicas (transtornos mentais ou doenças psicossomáticas) e até desencadeando problemas comportamentais, causando, assim um sofrimento psíquico para o próprio indivíduo. Ele terá, portanto, dificuldades de interagir com o meio e ás vezes com si mesmo.”

É quase um comportamento esquizóide, pois você não reconhece o seu próprio comportamento, ou melhor, as razões de comportar-se de tal maneira. No limite é como seu houvesse dois “eus”, um que pensa e outro que age de maneira não coordenada e independente. Gosto do exemplo de Eckhart Tolle ( O Poder do Agora, Sextante, 2002): “... Um profundo anseio de destruição, de deixar de existir, tinha tomado conta de mim, tornando-se até mais forte do que o desejo instintivo de viver. “Não posso mais viver comigo”, pensei. Então, de repente, tomei consciência de como aquele pensamento era peculiar. “Eu sou um ou sou dois?”. Se eu não consigo mais viver comigo, deve haver dois de mim: o ‘eu’ e o ‘eu interior’, com que o ‘eu’ não consegue mais conviver. “Talvez”, pensei, “só um dos dois seja real.” O grande desafio é viver em harmonia com o Eu, mas o autêntico!


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um toque de humor!


Copyright © Michael Leunig. http://www.leunig.com.au/

Da dificuldade em reconhecer-se

Recentemente testemunhei duas situações em que uma das partes renunciava à possibilidade de manter relação. Mas mais do que isto, o que as situações também tem de semelhança é (1) a alegada falta de compreensão do que sentiam e sua impossibilidade de expressão, pois reconheciam que sua conduta parecia irracional ou ilógica e/ou (2) a dificuldade ou evitação dos estabelecimento de um canal de comunicação.

Escrevo “e/ou” pois (1) eventualmente pode ser a manifestação pública de (2). Fazendo um paralelo, como bem conceituado pelos behavioristas, há aqueles comportamentos considerados encobertos, pois não são observáveis ou observados em público, mas são do conhecimento que quem os emite. Ou seja, (1) pode ser usado para encobrir a real motivação (2). Neste caso, por motivos que poderíamos somente especular, as pessoas desistem da comunicação, o que aparentemente é cada vez mais comum. Um parênteses, outro dia, e não me recordo qual era o articulista, lia no jornal que cada vez mais torna-se rara a possibilidade de uma conversa sem que as pessoas simplesmente coloquem sua opinião baseada num “achismo” raso e pulem de assunto em assunto, ou bem transformam o colóquio numa guerra santa de posições.

Mas (1) é a opção mais instigante pois aponta para um indivíduo que percebe a sua própria incapacidade de perceber-se, o que é um aparente paradoxo, pois parece já possuir consciência. Mas é aparente, pois não necessariamente isto lhe garante a possibilidade de compreender seus “drivers” comportamentais.

Uma das hipóteses foi pesquisada por Drew Westen e outros colaboradores num estudo que comprova "materialmente" a importância das motivações afetivas e emocionais em nossos pensamentos ("Journal of Cognitive Neuroscience" 18:11, 2006). Nada que as teorias sobre afeto não tenham abordado de formas diversas. Segundo Guimarães (Guimarães, F.S. Distúrbios Afetivos. In: Graeff & Brandão, Neurobiologia das Doenças Mentais, Lemos Editorial & Gráficos Ltda, 1993) “todo ser humano apresenta flutuações de afeto em resposta a eventos de sua vida cotidiana. Em algumas pessoas, no entanto estas respostas assumem um caráter inadequado em termos de serenidade, persistência ou circunstâncias desencadeadoras, caracterizando, assim a ocorrência de um distúrbio afetivo. Parece possível afirmar que, a depender da intensidade e qualidade dos nossos afetos e emoções nossos pensamentos ficam absolutamente comprometidos a ponto de nos sentirmos alheios ou estranhos a eles próprios. Favoretto (O Afeto em Psicossomática; 2002) esclarece: “Pode-se chegar à conclusão que o afeto é uma das bases mais concretas que o indivíduo conhece desde o início de sua vida, se esta emoção não for bem solidificada e compreendida de uma maneira positiva e integrada num fator sociocultural dentro dos padrões normais, haverá que interferirão no seu psiquismo apresentando modificações patológicas (transtornos mentais ou doenças psicossomáticas) e até desencadeando problemas comportamentais, causando, assim um sofrimento psíquico para o próprio indivíduo. Ele terá, portanto, dificuldades de interagir com o meio e ás vezes com si mesmo.”

É quase um comportamento esquizóide, pois você não reconhece o seu próprio comportamento, ou melhor, as razões de comportar-se de tal maneira. No limite é como seu houvesse dois “eus”, um que pensa e outro que age de maneira não coordenada e independente. Gosto do exemplo de Eckhart Tolle ( O Poder do Agora, Sextante, 2002): “... Um profundo anseio de destruição, de deixar de existir, tinha tomado conta de mim, tornando-se até mais forte do que o desejo instintivo de viver. “Não posso mais viver comigo”, pensei. Então, de repente, tomei consciência de como aquele pensamento era peculiar. “Eu sou um ou sou dois?”. Se eu não consigo mais viver comigo, deve haver dois de mim: o ‘eu’ e o ‘eu interior’, com que o ‘eu’ não consegue mais conviver. “Talvez”, pensei, “só um dos dois seja real.” O grande desafio é viver em harmonia com o Eu, mas o autêntico!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Uma Certa Paz"

Ganhei no final do ano de um casal muito especial, o livro "Uma Certa Paz" , de autoria de Amós Oz, que narra a busca do protagonista Ionatan Lifschitz pelo que imaginava ser felicidade. Seu ideal contrasta com uma idéia coletiva própria daquele momento da história, que tinha o Kibutz como ideal de Éden terrestre dos judeus.
Em alguns momentos, o antagonista Azaria Guitlin lembra o protagonista de "O Ajudante" de robert Walser por sua aparente ingenuidade, falas excêntricas, comportamentos bizarros. No geral as personagens são bem construídos e instigam a leitura, mas está longe de ser um livro "gostoso". Ao contrário, causa desconforto, incômodo, angústia. Ou seja, é do amargo que é bom!
Chama muita à atenção o estilo de escrita e forma de pontuação do autor. As personagens tinham suas falas iniciadas no meio da fala do narrador através de uma maiúscula não antecedida por ponto final. Nada que depois de 70 páginas não resolva-se!

Uma das frases que pesquei no livro:

"Um homem é só um homem. E, mesmo assim, só raramente."


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cursos no Projeto Cultura

Vale a pena dar uma olhada nos cursos programados do Projeto Cultura para 2.011.
Destaque para o curso "Paixões" que será ministrado pelo Clóvis Barros Filho que, além de bem preparado é uma figura engraçada; e "Vício e virtude: ontem e hoje" a ser dado pelo Luis Felipe Pondé, dono de uma fala autêntica e consistente, a qual podemos acompanhar na sua coluna de segundas-feiras no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O que significa postergar o prêmio

Este vídeo, além de divertido traz informações interessantes.
Quais as consequências de não lidarmos com nossas frustrações? Por que não nos é ensinado a importância de planejamento? Quais as vantagens de postergarmos a recompensa?

Estas perguntas fazem cada vez mais sentido em tempos em que, de crianças aos adultos, cada vez mais revelamos a intolerância à frustração. Via de regra, esta condição resulta no acentuamento de um estado infantil. Espernea-se, às vezes literalmente, quando as demandas não são atendidas como acredita-se que deveriam ser. Há uma crença que prolifera-se, tacitamente talvez, de que é não somente possível, como imperativo que tenhamos o melhor de dois mundo (quiça três!).

Já é tempo de sermos educados desde cedo, para saber que, muitas vezes, frustrar-se não é uma condenação à infelicidade, mas sim a possibilidade de fortalecer-se psicologicamente aperfeiçoando nossa resiliência. Ou ainda, que abrir mão do imediato pode significar colher algo mais maduro e precioso no futuro.



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Motivação

Recebi esta semana um clipe muito bacana sobre motivação. Surpreendente!




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cursos no IICS

Há alguns anos que os cursos temáticos ganharam corpo na cidade. Deixo a sugestão para visitarem o site do IICS - Instituto Internacional de Ciências Sociais que oferece cursos que primam não somente pela qualidade dos temas, bem como dos palestrantes. Inclusive, na página dos cursos de humanidades há um link para uma aula magna proferida pelo João Pereira Coutinho, colunista do caderno Ilustrada da Folha, que vale a pena assistir.

CONVITE / CONSTELAÇÃO FAMILIAR


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sobre cultura


Ontem numa palestra ouvi uma definição de cultura: "...é aquilo que guardamos, que fica depois do aprendizado." Agradou pela concisão, mas talvez peque pela simplicidade.
Claro que trata-se de um contexto de cultura organizacional, mas hoje li num livro de Edgar Schein a seguinte definição: "What culture does is to solve the group's basics problems of (1) survival in and adaptation to the external enviroment and (2) integration of its internal processes to ensure the capacity to survive and adapt."
Há algumas semanas outro palestrante dizia algo no sentido de que, cultura é o produto daquilo que feito coletivamente é melhor do que se o resultado fosse individual (ainda num contexto de cultura organizacional).

E ainda, num outro contexto:



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Uma pitada de Taoísmo

“O não agir não é, de modo algum, a inércia, mas a plenitude da atividade. Está, porém, é uma atividade transcendente e interior, não manifesta, unida ao Princípio e, portanto, superar a todas as distinções e aparências que o vulgo compreende distorcidamente como sendo a própria realidade, embora não passem de reflexos mais ou menos longínquos desta. (GUÉNON, Renê – Taoïsme et Confucionisme, p. 146)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Love what is - Katie Byron

Um amigo apresentou o trabalho de Katie Byron e estou maravilhado com a profundidade e simplicidade do que ela diz, e muito mais, faz!
Aqui um breve trecho (em português de portugal), de um livro chamado "Loving what is" que achei genial:

Ficando nos seus Próprios Assuntos

Existem apenas três tipos de assuntos no Universo: os meus, os seus e os de Deus (para mim, a palavra Deus significa "realidade". A realidade é Deus porque é ela quem governa. Qualquer coisa que esteja fora do meu controle e do controle de todas as outras pessoas, digo que é assunto de Deus).

Muito do nosso stress advém do facto de nós vivermos, mentalmente, fora dos nossos assuntos. Quando penso “Tu precisas de arranjar um emprego, eu quero que tu sejas feliz, tu devias ser pontual e tu precisas de cuidar melhor de ti própria”, eu estou a interferir nos “teus” assuntos. Quando estou preocupada com os terramotos, as inundações, as guerras ou com a data em que vou morrer, estou a intrometer-me nos assuntos de Deus. Se estou a viver, mentalmente, dentro dos “teus” assuntos ou nos assuntos de Deus, o efeito é a separação. Percebi isto no princípio de 1986. Quando me intrometia mentalmente nos assuntos da minha mãe, por exemplo, com um pensamento do tipo "A minha mãe devia entender-me melhor", de imediato sentia solidão. Então, percebi que me sentia ferida ou desolada, cada vez que estava a intrometer-me nos assuntos de outra pessoa.

Se está a viver a sua vida e eu estou a viver também mentalmente a sua vida, quem está aqui a viver a minha? Estamos os dois a viver a sua! Viver mentalmente nos seus assuntos impede-me de estar presente nos meus. Estou separada de mim mesma, tentando entender porque a minha vida não funciona.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Boas livrarias e sebos on-line

Para aqueles que se acostumaram com a onipresença da Amazon sugiro um passeio por outras opções:

Betterworldbooks - é um site que comercializa livros novos e usados. Fundado por amigos de faculdade, a finalidade é levantar fundos para promover e fomentar bibliotecas em países emergentes. Há um acervo gigantesco com preços excelentes. O frete costuma ser bem honesto também.

ABbooks - reúne milhares de comerciantes de livros ao redor do mundo. Acervo gigantesco. É possível encontrar novos, usados, raros, foras de catálogo, primeiras-edições, etc. Não é difícil encontrar umas barbadas...

Estante Virtual - site nacional que reúne sebos em todo o território nacional. Preços costumam ser bem razoáveis, com boa variedade. Já encontrei vários títulos esgotados nas editoras.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Intuição por Eric Berne

A intuição é um tema que há tempos me atraí. Infelizmente ainda não tive tempo de ler dois autores que me foram recomendados: Thomas Nagel e Bernard Lonergan. De qualquer forma, lendo um artigo do psiquiatra canadense, naturalizado americano Eric Berne me deparei com a seguinte definição de intuição que me agradou (porém ainda procuro algo mais sofisticado):

"(a intuição é) o conhecimento baseado na experiência que é adquirido através do contato sensorial com o sujeito, com a qual a pessoa que intui seja capaz de formular para si própria e para os outros, exatamente como ela chegou a suas conclusões."

MM

Aqui vai a dica de um site chamado Mundo-Mundano. Idealizado por uma amiga, a idéia é que várias pessoas (chamadas mundanos), colaborem com artigos que registrem seu ponto de vista sobre os mais diversos temas (artes, teatro, música, gastronomia, política, entre outros).